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Banda Sinfônica do CBMERJ celebra 130 anos com concerto especial na Sala Cecília Meireles

Apresentação reuniu história, tradição e inovação em uma noite de celebração a uma das mais antigas instituições musicais em atividade no Brasil

Uma noite para celebrar a música, a história e o legado de 130 anos. Foi assim o concerto especial da Banda Sinfônica do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ), realizado na Sala Cecília Meireles. Com o conceito “130 anos – Música que atravessa gerações”, a apresentação percorreu diferentes momentos da trajetória da Banda em um espetáculo especialmente preparado para a data.

Idealizado pelo Centro Histórico e Cultural e pelo Grupamento de Bombeiros Músicos (GBMUS), o concerto apresentou um repertório que evidenciou a versatilidade da Banda, reunindo obras históricas, clássicos da música brasileira e composições contemporâneas. Sob a regência dos maestros Maj BM Franquimar Francisco Fernandes, Cap BM Denilson da Costa Vargas e Ten BM Diego Abreu dos Santos, os músicos conduziram o público por uma verdadeira viagem pela história da instituição.

Criada em 1896, a Banda Sinfônica iniciou sua trajetória com apresentações no Quartel do Humaitá. Seu primeiro maestro, Anacleto de Medeiros, teve papel importante na estruturação da formação, inspirando-se nos principais conjuntos musicais europeus de sua época. Desde então, a Banda construiu uma trajetória marcada pelo pioneirismo e pela contribuição à cultura brasileira.

No início do século XX, esteve entre as primeiras formações militares a realizar gravações fonográficas na Casa Edison, contribuindo para a consolidação da música popular brasileira. Ao longo dos anos, ampliou seu repertório para além das marchas tradicionais, incorporando obras sinfônicas, composições contemporâneas e temas populares. Em 2016, recebeu o reconhecimento como Patrimônio Imaterial Cultural do Estado do Rio de Janeiro.

A própria escolha das obras ajudou a contar essa história. O concerto começou com o dobrado “Humaytá”, de Joaquim Lourenço de Azevedo Filho, o Sargento Azevedo, levando o público de volta aos primeiros capítulos da trajetória da Banda. Na sequência, “Jubileu”, de Anacleto de Medeiros, reforçou a ligação entre a música e a história do Corpo de Bombeiros.

A música popular brasileira também ganhou espaço. Entre os destaques estiveram “Travessia”, “Sabiá” e “Arrastão”, em arranjos de Dulcilando Pereira, o Macaé, referência musical para a Banda. O repertório ainda contou com “Três Joias da MPB”, reunindo “Se Todos Fossem Iguais a Você”, “As Rosas Não Falam” e “Isto Aqui, o Que É?”, em um encontro de grandes nomes da música brasileira.

A noite também foi marcada por homenagens. A família de Dulcilando Pereira, o Macaé, representada por sua esposa, Sandra Elizabeth Pereira, recebeu uma homenagem em reconhecimento à contribuição do arranjador para a Banda Sinfônica. O Maj BM Arthur Barreiros, maestro, compositor e arranjador, também foi homenageado por sua trajetória e contribuição artística à instituição.

Outro momento de destaque foi a homenagem à Ten Cel Carolina Faria, diretora do Centro Histórico e Cultural do CBMERJ, reconhecendo seu carinho e dedicação ao Grupamento de Bombeiros Músicos. A homenagem foi realizada pelos maestros, representando os músicos da Banda.

Mais do que músicos, os integrantes da Banda Sinfônica são bombeiros militares que conciliam a atividade artística com a missão de servir à sociedade. No cotidiano, atuam em salvamentos diversos e no combate a incêndios; nos palcos, levam ao público uma expressão artística que também aproxima a corporação da população.

Essa união entre serviço público, disciplina militar e excelência artística é uma das marcas da Banda. A mesma farda que representa o compromisso de salvar vidas também veste músicos que preservam memórias, emocionam plateias e ajudam a construir a identidade cultural do Corpo de Bombeiros e do Estado do Rio de Janeiro.

No encerramento, dois clássicos reforçaram a dimensão cultural da celebração: “O Guarani”, de Carlos Gomes, obra tradicionalmente presente no repertório da Banda, e “Maracatu do Chico Rei”, de Francisco Mignone, composição que incorpora elementos da cultura afro-brasileira à linguagem sinfônica.

Fotos: Fabrício Fraga

Banda Sinfônica do CBMERJ celebra 130 anos com concerto especial na Sala Cecília Meireles
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