Em caso de emergência, disque 193

Pesquisa aponta que a maior parte dos incidentes ocorre em ambientes internos, e onde há maior potencial de concentração de calor e gases tóxicos

O Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ), por meio da 5ª Seção do Estado-Maior Geral, realizou um levantamento inédito sobre ocorrências envolvendo dispositivos eletrificados e baterias de íons de lítio. O estudo, baseado na análise de ocorrências registradas entre 2024 e 2026, evidencia o crescimento progressivo desse tipo de incidente e reforça o alerta sobre os riscos relacionados ao uso, armazenamento e carregamento desses equipamentos, especialmente em ambientes domésticos.

Os dados mostram uma escalada nas ocorrências registradas pelo CBMERJ: foram 30 casos em 2024, 33 em 2025 e, somente no primeiro trimestre de 2026, foram realizados 18 atendimentos. O cenário é dominado pela micromobilidade elétrica, com destaque para motocicletas, ciclomotores e autopropelidos elétricos, que somam 36 ocorrências, além de 25 registros envolvendo bicicletas elétricas.

A análise revela que 42% dos casos ocorreram em residências, evidenciando a vulnerabilidade do ambiente doméstico. Entre os ambientes internos mencionados nos registros das ocorrências analisadas, destacam-se quartos, salas e cozinhas, frequentemente associados à presença de baterias em carregamento e à proximidade com materiais combustíveis.

Um ponto de atenção destacado pelo levantamento é a proximidade com a chamada “carga de incêndio”, composta por cortinas, sofás, colchões, móveis e revestimentos inflamáveis. Segundo o estudo, quando as baterias entram em combustão nesses ambientes, o fogo pode se propagar rapidamente, aumentando significativamente o risco de intoxicação por fumaça e dificultando a evacuação do local.

O levantamento também aponta que a maior parte dos incidentes ocorre em ambientes internos, onde há maior potencial de concentração de calor e gases tóxicos, favorecendo a propagação das chamas. O período entre meia-noite e 6h concentra boa parte das ocorrências, indicando possível relação com carregamentos prolongados durante a madrugada.

Um dado relevante da pesquisa é que 62% dos eventos foram controlados inicialmente por populares antes da chegada das equipes do CBMERJ. Já 38% demandaram atuação operacional das guarnições, principalmente em cenários de maior complexidade, como lojas, depósitos, garagens fechadas e espaços confinados. O estudo alerta ainda para os desafios específicos no combate a incêndios envolvendo baterias de íons de lítio. Esses equipamentos podem apresentar reignição, emissão intensa de fumaça tóxica e dificuldade de resfriamento, exigindo técnicas especializadas por parte das equipes de bombeiros.

Com o crescimento do uso de bicicletas, patinetes e outros equipamentos movidos a bateria, o Secretário de Estado de Defesa Civil e Comandante Geral do Corpo de Bombeiros alerta para a importância da adoção de medidas preventivas no uso e no carregamento desses dispositivos..

* Esses equipamentos fazem parte da rotina de muitas pessoas e trazem praticidade para o dia a dia, mas também exigem atenção redobrada quanto à segurança. O ideal é que o carregamento seja realizado em locais ventilados, longe de materiais inflamáveis e sempre com carregadores certificados e compatíveis com o equipamento. Também orientamos que a população evite deixar esses dispositivos carregando durante toda a noite ou em áreas que possam comprometer rotas de fuga em caso de emergência – declarou Coronel Tarciso Salles.

Corpo de Bombeiros faz levantamento inédito sobre ocorrências envolvendo veículos e dispositivos eletrificados
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